[ambos puros + corrida para reconquistar a esposa + amigos de infância + imperador obcecado por amor + canalha] No vigésimo primeiro ano de Xihe, a Guifei Shen Yao, favorita absoluta de todo o palácio
No jardim imperial, sobre a armação do balanço, estava recostada, cansada, uma beldade do palácio em vestes cor-de-rosa. Seu rosto era delicado e algo ingénuo; a brisa do entardecer fazia-lhe ondular as mangas e as saias, conferindo-lhe uma graça frágil, como se mal suportasse o próprio peso. Ainda assim, o olhar que lançava ao grupo de peônias estava cheio de uma solidão branca como a neve.
— Chunnong, que ano é hoje?
— Respondendo à nobre concubina, hoje é o vigésimo ano da era Xihe.
Nos lábios de Shen Yao surgiu um sorriso frio, que parecia tristeza e também sarcasmo, mas logo se dissolveu em quietude.
Ela já morrera uma vez.
No vigésimo primeiro ano da era Xihe, Shen Yao estava grávida do herdeiro imperial quando o imperador Lu Lingchuan, sob a acusação de “desrespeitar a imperatriz viúva”, primeiro a confinou ao palácio e depois lhe ordenou a morte.
O Céu, compadecido de sua vida tão apressada e breve, permitiu que ela renascesse no vigésimo ano da era Xihe.
De volta ao Palácio de Zichen, Shen Yao contemplou as dádivas acumuladas por todos os cantos, ouro e jade empilhados por toda parte, um luxo tão deslumbrante que cega os olhos. Naquele momento, ela ainda era a pessoa mais querida do imperador. Também era, entre todas as mulheres do harém da dinastia Xihe, a mais honrada depois da imperatriz viúva. E, mais ainda, a Concubina Imperial Shen, aquela de quem a corte e o harém inteiro tinham receio, a mesma que vivia dominada por ciúmes e queria monopolizar o imperador dia e noite.
Shen Yao não sentiu alegria; sentiu iro