No dia em que Wen Tiao a enviou ao palácio, Song Nianzhi sentiu o coração gelar, mas, para salvar a vida de toda a família, ela não teve escolha senão encarar a realidade e suportar, com os próprios o
No Reino do Sul, no décimo primeiro ano de Jing’an.
Song Nianzhi vestia um traje nupcial vermelho como fogo, com os pendentes a lhe velarem o rosto. Amparada por uma criada, subiu degrau após degrau e atravessou as portas do Salão do Taiji, avançando sob os olhares, ora de desdém, ora de desprezo, de todos os dignitários reunidos, até chegar lentamente ao lado de Chu Xiu, o Imperador de Jing’an, sentado no assento de honra.
Os adornos pendentes, afinal, nunca podiam ocultar tão bem quanto um véu. Alinhados em ambos os lados, os ministros e generais viram-na passar e, naturalmente, também permitiram que ela distinguisse com clareza, à frente de todos os oficiais civis e militares, o príncipe regente Wen Tiao, trajando uma túnica roxa de incomparável nobreza.
Hmph. Que ironia.
Aquele homem que um dia lhe tomara a mão com gravidade, prometendo que, nesta vida, só se casaria com ela, quando sua família foi falsamente acusada e mergulhada no infortúnio, ficara de braços cruzados. E agora, mais do que isso, era ele próprio quem a entregava ao verdadeiro culpado, o autor de toda a desgraça, um tirano ignorante e arbitrário que condenara a família Song inteira sem o menor cuidado e a lançara na prisão. Tal humilhação tornava toda a ternura do passado numa grande piada.
O trono imperial erguia-se acima do lugar dos ministros. Como nos degraus que levavam até ele as criadas já não ousavam ampará-la, Song Nianzhi subiu sozinha e, por fim, parou a cinco passos de distância de Chu Xiu.
— Por que tão longe? Acha que eu vou devorá-la? — O jovem imper