Na vida passada, ela usou todos os meios para tramar e conspirar; até o Céu, comovido — ou assustado — com sua cara de pau, sua falta de consciência e sua loucura desvairada, concedeu-lhe uma vida de
A brisa morna e suave, impregnada do frescor das folhas de lótus do verão, envolvia tudo ao redor, trazendo consigo uma sensação de calor que há décadas não tocava o coração gelado de Shen Yanjiao, aquecendo-a subitamente.
Ela, que já havia fechado os olhos esperando pela morte, abriu-os de repente.
Diante de si estava o jardim da mansão Shen, familiar e ao mesmo tempo estranho, exatamente como era nos tempos em que ainda não havia se casado: flores e árvores exuberantes, tudo delicado e requintado. O Jardim das Lótus estava em plena floração, folhas verdes e viçosas cobriam a paisagem, e entre elas despontavam botões de lótus, tão frescos e radiantes quanto sua juventude naquela época.
Shen Yanjiao sentiu-se confusa: o que estava acontecendo? Ela tinha certeza de que estava prestes a morrer, ainda há pouco ouvia os lamentos fingidos de filhos e netos ao redor de seu leito, escutava os murmúrios dos criados sobre a nova concubina que seu marido havia recebido... No auge do desespero, por que, de repente, se encontrava de volta ao jardim da casa de sua infância?
Estaria ela, então, no Terraço do Retorno, revivendo as cenas do passado?
À sua frente, alguém apreciava as flores de costas para ela. A postura graciosa não era senão de sua irmã mais velha, Shen Yanrou.
O coração de Shen Yanjiao disparou: ela se lembrava daquele acontecimento. Naquela ocasião, ela havia atraído a irmã ao jardim das lótus e, aproveitando-se de sua distração, a empurrou para dentro do lago. Depois, fingindo desespero, gritou por socorro, e justamente o filho d