Duan Jiajia entrou em um romance e virou a personagem de contraste da protagonista de uma história de “queridinha da família”. A protagonista tinha uma família perfeita; a mãe original de Duan Jiajia
O sol de 1990 ardia como se quisesse torrar até o chão, enquanto as cigarras não se calavam nem por um instante.
Até mesmo os sapatos de sola fina pareciam queimar os pés ao tocar o chão.
Duan Jiájiá não tinha tempo para se importar com isso. Apertava o abdômen com as duas mãos, curvada, avançando em passos trôpegos, ora profundos, ora rasos, em direção à saída.
Usava uma camisa velha, larga, de homem, que lhe pendia do corpo; nas costas, manchas escuras de suor, e os cabelos compridos, cortados de forma desigual e tosca, colavam-se ao rosto encharcados.
E, no entanto, o rosto exposto estava pálido, tão pálido que parecia que, se caísse no chão, já não voltaria a respirar.
Duan Jiájiá derramava lágrimas grossas, sem parar.
Era pela dor no estômago, e também por aquela sua confusão absurda de ter entrado em um livro.
Ela apenas havia lido um romance antes de dormir; ao abrir os olhos e ver ao redor os móveis nitidamente com ares dos anos oitenta, ainda nem tinha recuperado o juízo quando uma vaga de lembranças invadiu sua mente, e logo em seguida veio a cólica violenta no ventre.
O sol cruel a castigava, mas Duan Jiájiá ainda se sentia gelada dos pés à cabeça; o suor frio não cessava de brotar e, ao menor descuido, escorria para os olhos, ardendo como se os estivesse ferindo com sal.
Se não se lembrava errado, o papel dela, o da personagem de comparação da heroína, deveria morrer justamente naquele envenenamento alimentar.
Depois de sua morte, o pai ficou atordoado; ao dirigir, sofreu um acidente e morreu na hora