Ao despertar, Chen Ku percebeu que havia se tornado um humilde coletor de ervas em Vila do Peixe-Serpente, alguém sem identidade, sem registro, sem dinheiro, e, em tempos conturbados, sentia-se ainda
Ao amanhecer, antes que o sol surgisse, no leste apenas uma tênue linha branca se deixava ver. A montanha sem nome próxima à vila de Peixes e Serpentes, ainda envolta pela escuridão, estava encoberta por uma névoa cinzenta.
No meio do vento matinal e da névoa, balançava uma planta verde-esmeralda de aparência estranha. Diferente das demais ervas daninhas, exibia um brilho cristalino, ostentando uma gota de orvalho na ponta, tremulando suavemente...
De repente, uma enxada desceu do nada, arrancando a planta de pouco mais de trinta centímetros pela raiz, sem danificar sequer um filamento. Evidenciava-se a experiência de quem a manejava.
Após sacudir a terra escura e úmida, quem segurava a erva era um jovem de dezessete anos, talvez dezoito.
“Duas onças de raiz de ossos de serpente, valendo cerca de duzentas moedas de cobre, sem muita flutuação. Dessa vez, acompanhando o grupo na montanha, finalmente tive o maior lucro.”
Chen Ku ergueu a erva chamada raiz de ossos de serpente até a testa, examinando-a à luz pálida. As raízes lembravam vértebras de serpente, e, confirmando que não se enganara, guardou-a cuidadosamente no cesto de bambu às costas.
Dentro do cesto repousavam outras ervas comuns, nenhuma tão valiosa quanto a raiz de ossos de serpente.
“Duzentas moedas equivalem, na Terra, a duzentos reais. Aqui, posso comprar vinte quilos de arroz, sete ou oito de carne de porco, ou cerca de cem de lenha...”
“Se somar tudo o que colhi hoje, incluindo essa raiz, talvez consiga cerca de quatrocentas moedas. Descontando as cinquenta