Ao abrir os olhos, o apocalipse já havia começado. Branco Valente odiava todos os mortos-vivos. Especialmente aquele que o havia mordido. — Fim dos Tempos, Catástrofe, Sobrevivência, Redenção.
Numa manhã, tudo mudou. Antes que pudesse sequer começar a mostrar seu valor, Bai Xiao foi mordido. Olhando para a marca de dentes no braço e para a criatura rastejante no chão, sentiu um frio percorrer-lhe o corpo. Uma dor fina irradiava do ferimento, latejando, acompanhada de uma leve dormência.
O cenário ao redor era desolado; a cidade dormia num silêncio absoluto. Quando o zumbi saltou sobre ele, Bai Xiao ainda avaliava o ambiente com cautela, e foi pego de surpresa. Seu reflexo imediato foi chutar, o que produziu um estalo seco, surpreendendo-o pelo dano causado por um gesto tão espontâneo. Esse instante de choque foi o suficiente para que a dor se instalasse. A criatura, com a perna quebrada, tombou, mas antes de cair, ainda conseguiu cravar os dentes em seu braço, agarrando sua manga com firmeza, pendurada numa pose grotesca — isso tinha acontecido poucos minutos antes.
Agora, observando o ser rastejar em sua direção, mesmo caído, Bai Xiao sentiu o peso do medo. A aparência era tão assustadora quanto seus movimentos: cabelos ralos deixando o couro cabeludo à mostra, a pele colada aos ossos como uma múmia, grandes áreas de chagas expostas sob roupas esfarrapadas, e aquele rosnado baixo e sem sentido. Era igual aos mortos-vivos dos filmes que já tinha visto, tornando o coração de Bai Xiao cada vez mais pesado.
Examinando o ferimento, percebeu que, ao menos, os dentes do zumbi não eram tão afiados e o dano não era sério. Mas, mesmo assim, havia sido mordido. No seu primeiro dia após atravessar para esse novo mundo, foi atacado por um morto-vivo.